No dia 26 de março ocorreu um interessante seminário em Porto Alegre, voltado para a análise da situação da crítica de arte na atualidade. Quem acompanhou o evento presenciou a fala de dois artistas (Leandro Selister e Elaine Tedesco) e de dois críticos (Paula Ramos e Eduardo Veras), além da participação do público que, por quase duas horas, pode se manifestar acerca da discussão.
As colocações feitas no seminário levantaram o que é a crítica de arte hoje e sua existência pouco significativa. Além disso, também houve discussões no sentido de entender qual seria o espaço da crítica, uma vez que em jornais essa atividade é reduzida e, muitas vezes, falta interesse das publicações em garanti-la. Nesse sentido foi bastante interessante um fato comentado acerca do crítico Luiz Camillo Osório. Em uma publicação de 2005, o autor afirmava ser possível a crítica de arte em jornal. Já em depoimento recente, o mesmo autor se contradiz, afirmando não mais ser possível essa crítica.
Outra questão levantada na discussão é a relação com o público. Um dos motivos para a crítica de arte não ser publicada em veículos de comunicação seria a falta de demanda do leitor. A arte, de fato, possui um público restrito. Se pensarmos em arte contemporânea, o público se restringe ainda mais, pois a exigência de reflexão e de conhecimento prévio de determinadas referências aumenta. A crítica (e falo aqui da crítica acadêmica) vai tentar seguir essa produção. E não será seu objetivo maior facilitar a compreensão dessa, e sim discutir aquilo que a obra traz em sua complexidade.
Durante o seminário, falou-se, em alguns momentos, sobre a crítica de arte em jornal. Houve uma defesa dessa por participantes da mesa e pelo público que se manifestou. É válido que a crítica tenha seu espaço no jornal, buscando promover a um público maior o acesso às artes. No entanto, é também válido e importante que outros meios de divulgação dessa atividade possam estar presentes, até mesmo para que exista mais opções e mais liberdade. Bem como colocado no seminário, talvez caiba aos novos críticos encontrar novos meios de publicação dos textos. Esse é um ponto que, particularmente, considero muito relevante. Em meio a espaços tão restritos para a crítica de arte, é necessários que outros (talvez até mais adequados) possam ser utilizados. O jornal tem um aspecto tradicional, de relevância e mesmo de legitimação da crítica. Um novo espaço, porém, poderia proporcionar maior liberdade tanto para quem escreve quanto para o público que acompanha os textos. Cabe aos “novos críticos” abraçar essa causa. E já estamos abraçando...
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